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Segundo o dicionário, conceituamos solidão como o estado ou condição de pessoa que se sente ou está só. Podemos dizer que solidão é vazio, ou falta de algo em nossa vida. Mas, também é possível perceber, que, muitas vezes, quando esta sensação se manifesta, o movimento das pessoas costuma ser buscar externamente o que deveria ser consertado internamente. O olhar exclusivo para fora condiciona ações e pensamentos que abrem um território interior difícil de preencher.

É possível que geremos em nosso interior uma dependência emocional com pessoas e objetos que passamos a circundar. Ou, de repente, mesmo cercado de pessoas, percebemos que o vazio está absolutamente dentro de nós. Contudo, existe um sentimento deveras diferente que chamamos solitude. Nesse contexto, estar sozinho não representa sentir-se solitário. Há prazer na própria companhia, e, com isso, desenvolvimento de autoconhecimento e encontro consigo mesmo. Os acontecimentos atuais nos convocam a este movimento – de solitude e não de solidão.

O isolamento físico-social nos proporciona esta chance. Os estímulos externos reduziram-se. Olhar para nós mesmos e repensar modelos de funcionamento nunca foi tão necessário. Na solitude, tenho a oportunidade de produzir melhorias e aceitação de quem sou ou quero me tornar. Mas, também na solitude consigo encontrar equilíbrio entre estar comigo e estar com o outro.  Como um pêndulo, na solitude permito-me estar em contato permanente com minha essência, gostar de mim, cuidar de mim. E, de forma espontânea, ao me tornar alguém melhor, também percebo minhas relações com o próximo cada vez melhores e mais saudáveis. 

O filósofo espanhol Francesc Torralba, em seu livro A arte de estar sozinho, nos ajuda a exercitar esta solitude como experiência da alma. A descreve como uma “Oportunidade de revisar nosso gerenciamento, de projetar o futuro e avaliar a qualidade dos vínculos que construímos. É um espaço para executar uma auditoria existencial e perguntar o que é essencial para nós, além das exigências do ambiente social”. Mas, para encontrar a solitude com a sabedoria necessária, serenar a mente se faz primordial. Desacelere. Respire. Pense duas vezes antes de falar. Estamos tendo tempo. Precisamos todos parar com o frenesi dos últimos dias e encontrar sentido e propósitos nas grandes mudanças do presente. 

Que os versos de Lenine ecoem entre nós, e, lá no fundo, todos encontrem a paz necessária para mudar o que pode ser mudado e respeitar o que ainda precisa de paciência para acontecer: “Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não para. Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso faço hora, vou na valsa, a vida é tão rara. Enquanto todo mundo espera a cura do mal, e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência. O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós, um pouco mais de paciência”. 

  

Natalia Schopf Frizzo
Psicóloga - CRP 07/21597
Mestra em Psicologia e Saúde - UFCSPA
Residência em Gestão e Atenção Hospitalar - Área de concentração: Oncologia-Hematologia - UFSM/HUSM
Especialista em Cuidados Paliativos - Hospital Israelita Albert Einstein
Especialista em Psicologia Hospitalar - CFP
Coordenadora do Núcleo de Cuidados Paliativos da Oncotrata Oncologia Integrativa