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Talvez muitos estejam se perguntando a despeito dos recursos possíveis para lidar com os impactos psicológicos diante de uma Pandemia. Evidentemente, as ferramentas para administrar crises são muitas, e certamente algumas delas já existem dentro de você. 

Para vários de nós, um dos pilares frequentes de enfrentamento é a Espiritualidade. É possível que muitos a confundam com religião, mas saibam que religiões são apenas uma das formas de expressão espiritual. É perfeitamente possível nominar-se espiritualista, inclusive não sendo praticante de religiões. Usar o recurso espiritual pode significar fazer da fé um sentimento de conexão com uma força maior, seja ela chamada Deus, energia, natureza ou força interior. Ter fé, é validar algo como verdade. É estabelecer contato com o sagrado que habita em cada um de nós.

Vivemos tempos de sacrifícios. Todos estamos convocados a restringir nossa liberdade de trânsito e contato em prol de um bem coletivo e repleto de propósitos. Constituir um significado sagrado para nossos gestos e escolhas pode ser regenerador. Há diversas situações em que a vida impõe o exercício da renúncia e do sacrifício, tornando-o um Sacro Ofício. E a experiência da Pandemia parece-nos uma delas.

Quando identifico minha ação como respeitosa e protetiva à vida comum, me contato com o respeito humano profundo, e consequentemente, com o nominado sagrado, transcendente, único para cada um e estabeleço a necessária conversa interna com as forças que nos motivam a transpor adversidades. É, muitas vezes, por meio da espiritualidade, que minimizo sentimentos de solidão e reconecto meu sentimento de pertencimento ao mundo, que não é só meu, mas de cada um de nós. E, no contato com meu âmago, torna-se possível exercitar a bondade, a benevolência, a compaixão e o resgate de uma população que precisa unir forças para resgatar sua humanidade.

Mas, há também recursos cognitivos específicos que definirão quais estratégias serão utilizadas para os momentos de confrontação com a situação de crise e adoecimento. Nossos comportamentos de ajuste e enfrentamento do estresse e ansiedade dependerão da forma como direcionamos nossa percepção. Há diferenças individuais na disponibilidade de recursos que cada um possui, assim como as características de personalidade influenciam tal processo. Então, torna-se fundamental compreender e decidir qual estratégia de enfrentamento é útil perante a situação presente vivenciada.

Estratégias focadas no problema representam esforços cognitivos e comportamentais com intensão de resolver uma situação geradora de estresse; enquanto que, estratégias focadas na emoção refletem esforços cognitivos e comportamentais para evitar pensar sobre a situação estressante. Haverá momentos em que nossa escolha de sabedoria deverá ser filtrar informações, checar sua confidencialidade, estabelecer rituais específicos de higiene, trabalhar nossos sentimentos e ações com um profissional de saúde; e outros em que precisaremos distrair os pensamentos, destinar atenção a programas e atividades não associadas à Pandemia, sejam elas artísticas, lúdicas ou relaxantes.

Encontre sua forma de equilíbrio experimentando e identificando a melhor estratégia de enfrentamento em cada momento. Que as reflexões de Victor Fankl nos sirvam de inspiração: “quando a circunstância é boa, devemos desfruta-la; quando não é favorável devemos transforma-la, e quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos”. 

 

Natalia Schopf Frizzo
Psicóloga - CRP 07/21597
Mestra em Psicologia e Saúde - UFCSPA
Residência em Gestão e Atenção Hospitalar - Área de concentração: Oncologia-Hematologia - UFSM/HUSM
Especialista em Cuidados Paliativos - Hospital Israelita Albert Einstein
Especialista em Psicologia Hospitalar - CFP
Coordenadora do Núcleo de Cuidados Paliativos da Oncotrata Oncologia Integrativa