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Notícias

Sem paranoia, sem pânico, apenas reflita. 

É evidente que estamos todos mobilizados pelos últimos acontecimentos. Notícias tristes nos cercam e a ameaça de um vírus invisível nos remete ao sentimento de “não estar sob o controle das coisas” – e quando é que estivemos sob o controle de tudo, não é mesmo? 

Por outro lado, temos observado manifestações de bondade e movimentos sociais e políticos para apaziguar o medo e cuidar da saúde de todos. Os desafios mal começaram e muitos de nós nos sentimos exaustos. Principalmente pelo fato de que sentir medo consome energia. Mas se fizermos um exercício rápido de memória, algumas perguntas tornam–se fundamentais: quantas vezes estávamos vivendo rotinas marcadas por um turbilhão de eventos que nos faziam sentir exaustos e até mesmo solitários? Quantas vezes pensamos ou externamos críticas ao modo como estávamos levando nossas vidas?  Quantas vezes lemos ou assistimos reflexões que nos faziam pensar sobre o fato de nossa pirâmide de valores encontrar-se invertida?

Grandes crises podem sim serem compreendidas como oportunidades. Por se tratar de uma experiência que, normalmente não escolhemos passar, mas simplesmente nos aconteceu, a crise se torna oportunidade de ressignificação e de reencontrarmos nossa força interior. Vivemos um momento de humildade, no qual necessitamos olhar os outros calmamente, recebendo e servindo ajuda e conforto. Não significa de modo algum romantizar a situação, mas sim, convidarmo-nos a enxergar o lado positivo desta experiência: viver o momento presente.

Há muito falamos que a depressão, entre tantas causas, ganha potência na nossa insistência em ruminar nosso passado. E que, por sua vez, a ansiedade, em seus tantos gatilhos possíveis e formas de expressão, traz também um percentual de foco na nossa insistência em viver o futuro, antecipando um tempo que nem sequer aconteceu ainda. Desacelerar pode ser bom. Convida-nos a buscar harmonia e paz interior diante da incerteza. 

Se conseguirmos mudar o foco, certamente o que passaremos a sentir dentro de nós será mais forte e trará mais positividade ao nosso amanhã.  Tempos de crise, também podem ser tempos de esperança. Na Europa, os filósofos especulam que a experiência coletiva de medo e solidariedade trazida pelo vírus provocará mudanças profundas na mentalidade contemporânea. Podemos começar as mudanças agora, bem aqui, dentro de cada um de nós.

 

Natalia Schopf Frizzo
Psicóloga - CRP 07/21597
Mestra em Psicologia e Saúde - UFCSPA
Residência em Gestão e Atenção Hospitalar - Área de concentração: Oncologia-Hematologia - UFSM/HUSM
Especialista em Cuidados Paliativos - Hospital Israelita Albert Einstein
Especialista em Psicologia Hospitalar - CFP
Coordenadora do Núcleo de Cuidados Paliativos da Oncotrata Oncologia Integrativa